A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA ESCOLAR
PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DO ALUNO NO ENSINO FUNDAMENTAL1
Elenir
Maria Andreolla Mattos2 André Paulo Castanha3
Resumo: A pesquisa em
sala de aula pode se tornar uma grande aliada ao processo de ensino e
aprendizagem no Ensino Fundamental. Esta deve ser uma postura do professor,
pois, segundo Freire (2001): “não existe pesquisa sem ensino e nem ensino sem
pesquisa”. Desde o início da escolarização, deve-se focalizar na importância da
pesquisa para a construção do conhecimento do aluno com uma formação crítica,
criativa e inovadora. Além dessas
afirmações, o artigo apresenta definições, métodos e tipos de “pesquisa” de
acordo com a visão de alguns autores, ressalta também que, antes de tudo, o
próprio professor deve ser um pesquisador em sua prática diária. Partindo da
observação de como são desenvolvidas atualmente as pesquisas escolares,
propõe-se uma reflexão e reorganização destas atividades, através da
implementação do projeto do PDE4: “A importância da pesquisa escolar
para a construção do conhecimento do aluno no Ensino Fundamental” no ano de
2009 junto aos professores do Colégio Estadual Profª Leonor Castellano EFM do
município de Barracão-PR.
Palavras-chave: Pesquisa na Escola, Ensino Fundamental,
Conhecimento Escolar.
1 Projeto de intervenção pedagógica na escola
apresentado ao PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional) da Secretaria de
Educação do Estado do Paraná, turma de 2008 como requisito básico de
participação e avaliação, a ser implementado no ano de 2009 no Colégio Estadual
Profª Leonor Castellano EFM do município de Barracão PR.
2 Professora
do QPM (Quadro Próprio do Magistério) participante do PDE 2008. E-mail:
elenirandreolla@seed. pr.gov.br;
3 Professor
do Colegiado de Pedagogia da Unioeste – Campus de Francisco Beltrão e
orientador no PDE. E-mail: andrecastanha@brturbo.com.br;
4 PDE - Programa de Desenvolvimento Educacional da SEED
( Secretaria do Estado de Educação) do Estado do Paraná, implantado em 2007 com
o objetivo de garantir uma formação continuada.
A palavra
“pesquisa” tem origem no latim com o verbo “perquirir”, que significava
procurar; buscar com cuidado; procurar em toda parte; informar-se; inquirir;
perguntar; indagar bem; aprofundar na busca (BAGNO, 2007). Conforme o autor, a
pesquisa faz parte do nosso dia-a-dia. Fazemos pesquisa a todo instante quando
comparamos preços, marcas, ou antes de tomar qualquer decisão. Ela está
presente também no desenvolvimento da ciência, no avanço tecnológico, no
progresso intelectual de um indivíduo. “A pesquisa é, simplesmente, o
fundamento de toda e qualquer ciência” (2007, p. 18). Sem pesquisa, grandes
invenções e descobertas não teriam acontecido.
Para Richardson
(1999), pesquisa é um processo de construção do conhecimento que tem por
objetivo gerar novos conhecimentos ou refutá-los, constituindo-se num processo
de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza, quanto da sociedade, na qual
esta se desenvolve. Pádua define-a deste modo:
Tomada num sentido amplo, pesquisa é toda
atividade voltada para a solução de problemas; como atividade de busca,
indagação, investigação, inquirição da realidade, é a atividade que vai nos
permitir, no âmbito da ciência, elaborar
um conhecimento, ou um conjunto de conhecimentos, que nos auxilie na
compreensão desta realidade e nos oriente em nossas ações (1996, p. 29).
Segundo a
autora, o conhecimento é elaborado historicamente pelo acúmulo de pesquisas
realizadas. É através do conhecimento que se pode compreender e fazer as
transformações na realidade, porém isso vai depender da base teórica dos
pesquisadores, ou seja, seu modo de ver o homem em suas relações com a natureza
e com os outros homens. Havendo diferentes visões de mundo, de homem e de
análise da realidade, também aparecem diferentes concepções de ciência e
métodos, ou seja, caminhos diferentes pelos quais se chega a determinados
resultados, por exemplo: dialético, positivista, estruturalista, qualitativos,
quantitativos e outros.
Podemos definir
sinteticamente os métodos da seguinte forma: o método dialético materialista
proposto por Marx e Engels, parte da premissa de que no universo nada está
isolado, tudo é movimento e mudança, tudo depende de tudo. Pádua assinala que, para analisar o processo de construção do
conhecimento e da história por esse método, deve-se levar em conta as relações
entre o econômico, o jurídico-político e o ideológico. A síntese, demonstrada
por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os
conceitos envolvidos na discussão conduz a novas buscas, que leva a novas
sínteses,
realimentando o conhecimento. A ciência é “ao mesmo tempo a
revelação do mundo e a revelação do homem como ser social”. (1996, p. 22).
O método positivista enfatiza a
ciência e o método científico como única fonte de conhecimento, estabelecendo
forte distinção entre fatos e valores. Analisa as questões sociais da mesma
forma que acontecem os fenômenos naturais. À ciência, através da tecnocracia,
cabe a tarefa de analisar e resolver todos os problemas sociais.
No método estruturalista o que
importa é o estudo das relações entre os elementos. É a busca das estruturas
invisíveis construídas pelo pesquisador. Parte da investigação de um fenômeno
concreto atinge o nível abstrato, através da constituição de um modelo que
represente o objeto de estudo retornando ao concreto, dessa vez como uma
realidade estruturada e relacionada com a experiência do sujeito social.
Consiste no estudo das relações sociais e a posição que estas influenciam os
indivíduos e os grupos.
Os métodos quantitativos preocupam-se
tanto na modalidade de coleta de informações quanto no tratamento delas por
meio de técnicas e estatísticas, já os métodos qualitativos não levam em conta
a quantidade de informações para investigar fatos, fenômenos ou grupos;
preocupam-se sim, com aspectos psicológicos que indicam o funcionamento das
estruturas sociais.
2 - Tipos de pesquisa
Os tipos de pesquisa mais utilizados
são: pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo (pesquisa-ação, pesquisa participante,
pesquisa etnográfica) e pesquisa de laboratório.
Pesquisa bibliográfica: consiste na
leitura e fichamento do material bibliográfico selecionado, que servirá de
subsídio para a redação da fundamentação teórica do estudo. Também conhecida
como referencial teórico, revisão da literatura, revisão bibliográfica. Quando
o pesquisador decide que sua pesquisa será do tipo bibliográfica, esta deve ter
uma abrangência significativa. Todo e qualquer tipo de pesquisa, em qualquer
área do conhecimento, supõe e exige a pesquisa bibliográfica.
Pesquisa de campo: é o tipo de estudo
que é feito na própria realidade, ambiente ou situação onde os fatos ocorrem
naturalmente. Existem algumas modalidades de pesquisa de campo:
·
Pesquisa-ação: propõe-se a uma ação
deliberada visando uma mudança no mundo real, seja de atitudes, de práticas, de
situações, de condições, de produtos, de discursos, comprometida com um campo
restrito; É um processo de controle
sistemático da própria ação do pesquisador, estudo que
envolve alguma forma de intervenção, exprimindo um sistema de valores, uma
filosofia de vida, individual ou coletiva .
·
Pesquisa participante: propõe um
intenso envolvimento do grupo pesquisado nas diversas fases da pesquisa,
inclusive na definição do objeto de estudo, uma restituição sistemática dos
conhecimentos da pesquisa aos pesquisadores e a um processo coletivo da
avaliação dos resultados para transformá-los em ações concretas;
·
Pesquisa etnográfica: o que a
caracteriza fundamentalmente, é um contato direto e prolongado do pesquisador
com a situação e as pessoas ou grupo selecionados. Um requisito básico é a
obtenção de grande quantidade de dados descritivos, utilizando principalmente a
observação. O pesquisador vai acumulando descrições de locais, pessoas,
interações, fatos, formas de linguagem e outras expressões que lhe permitem ir
estruturando o quadro configurativo da realidade estudada, em função do qual
ele faz suas análises e interpretações.
Pesquisa de laboratório: ocorre em
situações controladas, valendo-se de instrumental específico e preciso, local
ou ambiente adequado, previamente estabelecido, de acordo com o estudo a ser
realizado.
3 - Ensinar exige pesquisa
Paulo Freire afirma que “não há
ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino” (2001, p. 32). Para ele, o educador
deve respeitar os saberes dos educandos adquiridos em sua história,
estimulando-os a sua superação através do exercício da curiosidade que os
instiga à imaginação, observação, questionamentos, elaboração de hipóteses e
chega a uma explicação epistemológica.
O autor destaca que é necessário
refletir criticamente sobre a prática educativa para evitar a reprodução
alienada, criando possibilidades para o aluno produzir ou construir
conhecimentos: “... ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as
possibilidades para sua própria produção ao a sua construção” (2001, p. 52). O
professor deve estimular o ato de pesquisar para que o aluno passe a ser
sujeito e não apenas objeto da nossa história.
Para o educador inglês Lawrence
Stenhouse, todo professor deveria atuar como um investigador para ser capaz de
criar o próprio currículo, baseado nas necessidades reais de seus alunos.
Acreditava que todo educador tinha de assumir
seu lado experimentador no
cotidiano, pois quem mais precisa aprender é
aquele que ensina. Ao transformar a sala de aula em laboratório, é possível garantir
a aprendizagem dos alunos das classes sociais
menos favorecidas com maior
autonomia e assim fazê-los alcançar um nível intelectual mais elevado. Para Demo (2007), o professor
deve ser um pesquisador que constrói e reconstrói seu projeto
pedagógico. Ele deve produzir ou reconstruir textos científicos, elaborar ou reelaborar
o material didático, inovando sempre sua prática
didática em sala de aula.
Martins (2007, p. 85) aponta para a
importância do papel do professor, quando afirma que o mesmo: “...deverá
conduzir o projeto e procurar, em sua construção, resultados que possam superar
a metodologia das superficialidades, isto é, os conceitos do senso comum,
aprofundando mais o lado científico da investigação”. Para tanto, o próprio
professor deve ser, antes de tudo um
investigador, fazendo um diagnóstico para conhecer o que os alunos já sabem, respeitando
o contexto e situação cultural que estão inseridos, adequando assim os métodos
ao trabalho a ser desenvolvido. Ao incentivar o trabalho escolar com projetos
de pesquisa, o autor faz a seguinte observação em relação ao educando:
A criança tem paixão inata pela descoberta e por isso convém não lhe
dar a resposta ao que não sabe, nem a solução pronta a seus problemas; é
fundamental alimentar-lhe a curiosidade, motivá-la a descobrir as saídas,
orientá-la na investigação até conseguir o que deseja (2007, p. 78).
Muitas vezes a aula não se torna
atrativa para o aluno e isso é, quase sempre, resultado da metodologia
inadequada utilizada pelo professor. Matar a curiosidade do aluno dando-lhe
respostas prontas e acabadas, antes mesmo de questionar o que o mesmo já sabe
sobre o assunto abordado é um dos motivos que leva ao desinteresse por parte do
educando e frustração ao professor. A utilização de métodos que levam o
educando à investigação, também pode evitar muitos casos de indisciplina em
sala de aula, pois se a aula é atrativa, o mesmo sente-se motivado para a
aprendizagem.
Menga Ludke defende que o próprio
professor da Educação Básica deve ser um constante pesquisador em seu trabalho
diário. Também ressalta que há limitações tanto na academia, onde se dá a
formação profissional, bem como o tempo disponível para o desenvolvimento de
pesquisas é insuficiente, sendo que nas horas atividade ou permanência é o
momento em que o docente prepara suas aulas e corrige trabalhos de seus alunos.
Nesse sentido, o Programa PDE, ligado a SEED do Estado do
Paraná, abriu novas possibilidades para que o professor participante do
Programa desenvolva pesquisas em seu local de atuação, buscando a superação dos
problemas e visando a melhoria da qualidade do ensino da Educação Básica .
Conta também com a participação dos demais educadores que
compõem a rede de ensino através da formação de grupos de estudo sob
a coordenação do professor PDE, onde o projeto de pesquisa é discutido e
implementado.
4- Pesquisa na
escola e suas possibilidades
Durante muito tempo o tema da
pesquisa foi tratado como de exclusividade dos estudantes dos cursos
superiores, sendo que na Educação Básica, especificamente no Ensino
Fundamental, onde se inicia a escolarização, pouca ênfase ou orientações vêm
sendo disponibilizadas aos educandos quanto ao encaminhamento dos trabalhos de
pesquisa escolar. Muitos são os fatores determinantes dessa visão, mas
acredita-se que a formação precária e aligeirada dos professores em suas
graduações e a falta de trabalhar com o tema na formação continuada dos mesmos
são evidências da desqualificação da pesquisa no Ensino Fundamental.
A realidade, na maioria das vezes
encontrada é a de que no momento em que o aluno se depara com trabalhos de
pesquisa escolar, se vê frente a uma situação conflituosa e, por falta de
orientação, sem saber como fazer e onde encontrar materiais sobre o tema
solicitado, simplesmente deixa de fazer ou apresenta cópias fiéis de partes de
obras ou recorte e cola trechos de textos da Internet, apenas para receber
“nota”, sem consciência do crime do plágio cometido e, muitas vezes nem lê o
que entrega ao professor.
José Mendes Manzano e Nívia Gordo,
afirmam que é preciso avaliar até que ponto as atividades de pesquisa escolar,
do modo como são encaminhadas e elaboradas atualmente nas escolas do Ensino
Fundamental, contribuem para o processo formativo dos educandos. Além disso, na
maioria das vezes, os pais se vêem incapazes de auxiliar os filhos na busca de
fontes de consulta ou até mesmo na organização da redação final. Os autores
também alertam para a forma em que os trabalhos são apresentados, onde a
pesquisa quase sempre é uma cópia, sem indicação de fontes e nem o emprego de
aspas. E, se falar de trabalho em equipe, piora ainda mais, pois geralmente um
copia, outro digita, outro faz a organização, ou simplesmente um faz e põe o
nome dos outros e assim por diante. Segundo os autores, a escola tem autonomia
na elaboração do Projeto Político Pedagógico, para definir o que é realmente
importante no processo de ensino e aprendizagem, sendo assim poderá traçar
metas e definir regras para que a pesquisa desenvolvida em sala de aula se
torne mais uma aliada na tão discutida redução do fracasso escolar.
Bagno, indignado com a forma
superficial em que as pesquisas escolares na maioria das vezes são
encaminhadas, faz sugestões para transformar essas atividades em verdadeiras
fontes de aquisição de conhecimento. Segundo ele, o
professor, além de transmitir conteúdos, tem o papel de ensinar a aprender,
orientando e criando possibilidades para que a criança chegue às verdadeiras
fontes do conhecimento através de um olhar crítico. Essa forma de desenvolver
pesquisa em sala de aula precisa ser repensada e discutida, já que nos cursos
superiores ou mesmo na formação continuada de professores o assunto não é
levado em consideração.
Marcos Bagno enfatiza a importância
da pesquisa já nas séries iniciais do Ensino Fundamental, esta deve ser
encaminhada de forma organizada, precedida de um projeto que pode ser bem
simples, mas que não dispensa a ajuda do professor no sentido de mostrar aos
alunos como se faz o trabalho, ou seja, mostrar o caminho a ser seguido.
Segundo ele:
Fazer um projeto é lançar idéias para frente, é prever as etapas do
trabalho, é definir aonde se quer chegar com ele - assim, durante o trabalho
prático, saberemos como agir, que decisões tomar, qual o próximo passo que
teremos de dar na direção do objetivo desejado (2007, p. 22).
Por si só, a atividade de pesquisa não tem função
nenhuma. Para que a mesma atinja seus objetivos, ou seja, se torne produtiva na
escola, é necessário que o aluno analise produções já disponíveis sobre o tema
e depois elabore suas conclusões pessoais. Desta forma o educando será capaz de
argumentar, criticar, avaliar as diversas situações do conhecimento. O mesmo
autor destaca que os temas devem ser relevantes e pertinentes aos conteúdos
desenvolvidos no programa escolar garantindo ao aluno o conhecimento. Em sua
obra “Pesquisa na escola o que é e como se faz”, Bagno orienta os itens do
projeto de forma bem acessível e simplificada, mas que não fogem das normas
definidas pela ABNT. São os principais itens: título, objetivo, justificativa,
metodologia, produto final, fontes de consulta e cronograma. Quando se trata do
produto final, alerta para o ponto importantíssimo do projeto, ou seja, o que
desejamos obter com a pesquisa que propusemos aos alunos. É fundamental que os
passos do projeto sejam bem explicados e a escolha do tema discutido antes de
se lançar a pesquisar.
A pesquisa em sala de aula pode se
tornar uma grande aliada ao processo de ensino e aprendizagem no Ensino
Fundamental. Junto às discussões diárias constitui-se num forte instrumento
para desenvolver a reflexão, o espírito investigativo e a capacidade de argumentação.
Quando bem utilizada e encaminhada com certo rigor, valoriza o questionamento,
estimula a curiosidade, alimenta a dúvida, supera paradigmas, torna a aula
mais atrativa, amplia os horizontes do conhecimento do aluno,
desperta a consciência crítica que leva o indivíduo à superação e transformação
da realidade.
Para Martins (2007, p. 34), trabalhar
com projetos de pesquisa desde as séries iniciais é uma maneira de evitar
situações que muitas vezes ocorrem ao final de cursos acadêmicos de
especialização, ou mesmo de cursos regulares universitários, quando o estudante
se vê incapaz de realizar monografias, relatórios de estudos e outros
trabalhos. Afirma também que, ao orientar a criança a utilizar métodos
científicos no estudo e na investigação leva-a à reflexão sobre problemas da
vida e a investigá-los pela observação.
Segundo Demo, a base da educação
escolar é a pesquisa, pois quem conhece é capaz de intervir de forma
competente, crítica e inovadora:
Não é possível sair da condição de objeto(massa de manobra), sem
formar consciência crítica desta situação e contestá-la com iniciativa própria,
fazendo deste questionamento o caminho de mudança. Aí surge o sujeito, que o
será tanto mais se, pela vida afora, andar sempre de olhos abertos, reconstruindo-se
permanentemente pelo questionamento. Nesse horizonte, pesquisa e educação
coincidem, ainda que, no todo, uma não
possa reduzir- se à outra (2007, p. 8).
Para o autor, é preciso superar ouso
exclusivo do método expositivo de dar aulas, onde o professor tem a função
principal de transmitir conhecimentos já elaborados, o que define como cópia e
que “atrapalha o aluno, porque o deixa como objeto de ensino e instrução”
(2007, p.7). O espaço da sala de aula onde o professor é apenas transmissor de
conhecimentos precisa ser repensado e transformado. De forma alguma quer dizer
que o professor vá perder a autoridade, mas sim que o mesmo passe a se
interessar pela aprendizagem de cada aluno, estabelecendo um relacionamento
tranqüilo e de participação. Nesse espaço é fundamental desenvolver o espírito
de trabalho em equipe e evitar competições individuais, já que a cidadania se
constrói pela organização solidária:
[...] trabalhar em equipe é um reclamo cada vez mais insistente dos
tempos modernos, por várias razões muito convincentes. De uma parte, trata-se
de superar a especialização excessiva, que sabe muito de quase nada, porquanto
não faz jus à complexidade da realidade, sobretudo não compreende a sociedade,
seus problemas e desafios, de modo matricial, globalizado, multidisciplinar. De
outra, o trabalho de equipe, além de ressaltar o repto da competência formal,
coloca a necessidade de exercitar a cidadania coletiva e organizada, à medida
que se torna crucial argumentar na direção dos consensos possíveis. Neste
sentido, pode-se trabalhar a solidariedade e a ética política de maneira mais
objetiva, lançando sobre o conhecimento o desafio da qualidade política (2007, p.18).
Para o autor, no trabalho em equipe,
é necessário saber argumentar com fundamentação, fazer concessões, ouvir a
opinião dos outros e não querer que apenas a sua idéia prevaleça, evitando
assim o individualismo e estimulando a coletividade. O professor deve habituar
também o aluno a ter iniciativas e a ser investigador no espaço escolar e fora
do mesmo. Isso leva à necessidade de se ter uma biblioteca escolar equipada,
sempre renovada, com profissional qualificado, acesso às tecnologias como a
Internet, e, mesmo que a maioria das famílias dispõe de poucas fontes, sempre
há algo que as mesmas possam contribuir nas atividades de pesquisa do educando
seja com opinião, objetos, fotos, documentos e outros.
O ambiente da sala de aula deve ser motivador de trabalho em conjunto,
valorizando a experiência de cada um e relacionando sempre que possível o que
se aprende com a vida concreta. Cabe ressaltar aqui que a transmissão de
conhecimentos feita pelo professor também deve fazer parte das atividades
escolares, pois é impossível trabalhar todos os conteúdos curriculares em forma
de pesquisa e o acesso ao conhecimento historicamente acumulado deve ser
garantido ao aluno. Nesse sentido Demo afirma
que:
Mesmo assim, a transmissão de conhecimento acumulado é insumo
indispensável, em vários sentidos: a) porque conhecemos a partir do que já se
conhece[...]; b)porque muito raramente conseguimos produzir conhecimento
realmente novo[...]; c)porque, culturalmente falando, o processo de
aprendizagem é realizado não de modo desencarnado, isolado, inventado, mas na
esteira geracional que supõe sempre também transmissão; o processo transmissivo
(2007, p.26).
Quando o autor se refere à
transmissão de conhecimentos, defende a idéia de que isso não pode ser visto
como ponto final, mas como ponto de partida, pois uma geração não deve apenas
fazer o que a anterior historicamente fez, mas sim aperfeiçoar com competência
de acordo com suas necessidades atuais.
5 - Importância da implementação do
projeto
Estudar a problemática da pesquisa
escolar no Ensino Fundamental se faz necessário e urgente por dois fatores:
primeiro porque se constitui numa prática muito utilizada pelos professores e,
freqüentemente desenvolvida sem critérios e fundamentação pedagógica; segundo:
o tema da pesquisa escolar foi inserido no Projeto Político Pedagógico e
Regimento Escolar a partir do ano de 2008, como um dos componentes do processo
de avaliação da
aprendizagem escolar no Colégio Estadual Profª Leonor
Castellano do município de Barracão-PR. Tal decisão foi tomada coletivamente
pelo corpo docente, equipe pedagógica, direção e demais representantes dos
órgãos colegiados do estabelecimento de ensino, mas não houve a preocupação de
estabelecer critérios para dar encaminhamento às atividades de pesquisa
desenvolvidas pelos professores.
Diante da importância de discutir a
questão da pesquisa escolar no Ensino Fundamental e da necessidade de garantir
alguns encaminhamentos para organizar a atividade na escola, optou-se, enquanto
professor PDE, por desenvolver o projeto de intervenção pedagógica sobre o tema
da pesquisa. O objetivo é formar grupos de estudos, entre os professores para
discutir formas e estratégias de utilização das atividades de pesquisa, como
instrumento de construção do conhecimento escolar nesta fase da escolarização.
Espera-se, que a partir dos estudos e debates, tenhamos condições de elaborar
materiais didáticos que auxiliem tanto os professores quanto os alunos,
contribuindo assim para melhorar a qualidade do ensino e, habituar os alunos a
pesquisar dentro de princípios e normas científicas.
O projeto de implementação na escola
constitui-se na forma de pesquisa de campo com a especificidade de
pesquisa-ação como definida no início do texto, tendo como suporte o estudo
bibliográfico de vários autores. O mesmo fará parte integrante das atividades
curriculares do ano de 2009, junto aos professores de todas as disciplinas do
Ensino Fundamental, visando melhorar a prática da pesquisa em sala de aula.
Para isso serão seguidos os passos seguintes: Todos os professores da escola
serão convidados a participar das atividades; Vários deles serão entrevistados
para verificar as formas de realização das atividades de pesquisa na escola;
Serão recolhidos trabalhos/pesquisas dos alunos realizados antes da
implementação do projeto para posterior análise; Os professores serão
organizados em grupos para estudos de textos e para discutir a importância da
pesquisa escolar, bem como as questões do cotidiano escolar; Os professores
serão convidados a realizar uma atividade de pesquisa bem encaminhada, por turma,
com temas diversos, dentro da disciplina e conteúdo em curso; Depois serão
feitos estudos comparativos dos trabalhos apresentados antes e depois da
execução do projeto, debatendo e avaliando os resultados com os professores;
Por fim pretende-se elaborar material didático de apoio aos professores e
alunos para melhor conduzir e realizar as atividades de pesquisas escolares -
uma espécie de guia do aluno pesquisador.
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Documento
capturado da internet em PDF - Disponível
no link:<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2525-6.pdf>. Acessado em: 28 ago 2018.
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